quinta-feira, 12 de maio de 2011

AS PEDRAS DO CAMINHO

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drumond de Andrade

Fica claro, na minha interpretação, deste poema, que a pedra no meio do caminho, ficou onde estava, na vida do poeta e que ele simplesmente desistiu de removê-la, seguindo adiante com a sua vida, como soube, mas nunca conseguiu esquecê-la. Na verdade, a pedra, incomodou-o bastante. O que a pedra significou  e foi para o Carlos Drumond, não sabemos, pelo menos, eu não sei. Talvez alguém o tenha entrevistado ou perguntado-lhe, mas sinceramente, só posso conjecturar sobre o assunto. E o bacana dos poemas, em geral, é, justamente, elaborar versões subjetivas e viajar em nosso próprio universo interior e refletir dentro das nossas realidades, o que os textos podem nos ensinar. Afinal, cada um é cada um!

O que é a pedra no meio do caminho para você, hoje? O que você quer fazer com esta pedra? A pedra pode ser removida? A pedra tem o direito de fazer parte da sua história, para sempre? Você está apegado a esta pedra com algum sentimento? Qual o nome desta pedra?

São muitas as pedras no nosso caminho, ao longo da vida, falando a verdade. Certo? Mas, nós temos que lidar pedra a pedra. As pedras simbolizam tudo aquilo que nos impede e resiste. Pisar em uma pedra descalço é uma experiência quase infantil, mas super dolorida. Quem nunca pisou em uma? Com certeza se você fechar os olhos, será capaz de sentir a dor de novo. Chutar uma pedra, sem querer, descalço, também é uma experiência doída, da infância. Geralmente perdíamos a unha do dedão, na ocasião. Sinta a dor! Ria! Dá até saudades destas pedras de verdade. "Quem nos dera que fossem, as pedras, de agora, as pedras de outrora!".

Nossas pedras e a específica de Carlos Drumond de Andrade, nosso poeta brasileiro, são questões existenciais que ferem nossas almas e querem nos impedir de viver com esperança e fé. Agora, pior que uma pedra no caminho é uma pedra no sapato. Nós temos que removê-las, as pedras! É preciso pensar, refletir e sentir o que está doendo em nós e resolver a questão. Caso seja alguma coisa insolúvel, como o espinho na carne do Apóstolo Paulo, paciência, pois a graça de Deus te bastará.

"E, para que não me exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.
Três vezes orei ao Senhor para que o afastasse de mim.
Mas ele me disse: A minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza." 2 corin 12:7-9

Ninguém quer um mensageiro de Satanás na cola, mas a vida acontece como é, muitas vezes, fugindo ao nosso controle. Nem sei qual controle da vida que temos de fato, para ser sincera. Só entendo que, nós os que cremos em Cristo e nele estamos, podemos todas as coisas, pois somos fortalecidos pela fé.

"Sei passar necessidade, e também sei ter abundância. Em toda maneira , e em todas as coisas aprendi tanto a ter fartura, como a ter fome, tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.
Posso todas as coisas naquele que me fortalece." Fp 4:12-13

A Pedra que não posso aceitar, tenho que chutar. A pedra que não posso chutar, tenho que sair da frente dela. A pedra dentro do sapato, se for o caso, o poder de Deus se aperfeiçoará nesta fraqueza, em específico. Pedras vêm e pedras vão, mas as palavras de Deus se cumprirão em nossas vidas! Creia em Deus!

Nenhum comentário:

Postar um comentário