domingo, 12 de outubro de 2014

Ignorante racional, oi?

A maioria dos eleitores, de acordo com o economista americano Anthony Downs, em seu clássico Uma Teoria Econômica da Democracia, cujo livro não li e nem irei ler, é ignorante racional. Isto quer dizer que, apesar de não entender de indicadores econômicos e não saber como as políticas se relacionam umas com as outras e se desdobram a médio e longos prazos, sou coerente e racional, mas pratico uma política de visar o bem -estar e de querer manter o status quo numa boa.

-Hã? Oi?

Então, trocando em miúdos: A maioria dos eleitores, a gente, não entende nada de como a coisa funciona dentro da política, desconhece as ideologias dos partidos e  vota nas eleições de forma coerente com seus interesses. Por exemplo: Hoje, eu quero o PT fora do governo, pois sinto que a perpetuação deste sistema ameaça o progresso do Brasil em sua democracia. Isto não quer dizer que acredito em tucanos. - O que eu quero? Manter a nossa história em uma ascendente.

Passei estes últimos dias refletindo exatamente sobre essa questão, ignorância racional, e quando li a reportagem abordando a questão, com refinamento intelectual, fiquei me sentindo inteligente, pois apesar de não ser cientista política e nem uma pessoa engajada na coisa, estava entendendo o processo de acordo com a teoria ignorante racional. 

A falta de educação formal em um povo faz falta na democracia dele, mas o reto pensar, politicamente, uma vida inteira, durante sucessivos governos, atolados na corrupção, causa desinteresse em ideologias. Sim, a maioria dos eleitores está cansada, frustrada, chateada, revoltada, perturbada, desesperada, enraivecida e obrigada a votar.

Poucos no Brasil podem se dar ao lixo e luxo de viverem pensando em mudar o país através da política. A maioria esmagadora dos ignorantes racionais trabalha em empregos formais e paga os impostos para manter o status quo dos governantes, corruptos políticos racionais, em suas ideologias. Entendo que existe uma classe política, minoria, de boa vontade para com os homens, mas é como separar joio do trigo.

(A reportagem está na VEJA, Ed. 2395, ano 47, número 42)





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